Infância no Brasil
Rio de Janeiro me ensinou ritmo, família e improviso.
Eu nasci em 11 de março de 1987, no bairro do Méier, na zona norte do Rio de Janeiro. Minha família era de classe média que nunca teve luxo, mas sempre teve conversa sobre trabalho. Minha mãe, Rosângela, era professora da rede municipal; meu pai, Antônio, administrava uma pequena loja de peças automotivas na Praça da Bandeira. Em casa, eu ouvia sobre boleto, fornecedor, aluguel, inflação e cliente antes mesmo de entender tabuada direito.
O Rio me deu três coisas que levo até hoje: leitura de gente, gosto por futebol e a certeza de que comida boa junta família. Eu jogava bola na rua, acompanhava Flamengo com meus tios, ajudava meu pai no caixa aos sábados e via como cada decisão pequena fazia diferença no fim do mês. Aos nove anos, comecei a guardar moedas em uma lata velha porque queria comprar meu primeiro videogame. Foi minha primeira aula de objetivo financeiro.
Quando completei dez anos, meus pais receberam uma oportunidade de trabalho em Newark, Nova Jersey, perto de Nova York. A mudança parecia aventura, mas para mim também foi choque: novo idioma, nova escola, inverno pesado e saudade do Brasil. Eu era o menino brasileiro que falava pouco, observava muito e queria provar que conseguia acompanhar a turma.